O assunto é musica... A música, assim como a pintura, esculturas, dança poesia, literatura e outras coisas do tipo é uma arte. E como arte, coisa que é, está condicionada ao uso que é feita da mesma. Ela está condicionada a intenção de quem a fez e de quem a usa. Por exemplo, uma faca pode ser usada tanto para preparar um alimento para alguém como parar ferir alguém. Isso vai depender o uso que se faz dela.
Em se tratando da questão, musica secular, é correto afirmar que nem tudo que é secular (sem significado religioso) é profano. E aliais, nem tudo que é “gospel” é santo.
Analogamente isso levanta outras questões como: Seria pecado ler um soneto de Luiz de Camões só porque o mesmo não gospel? Seria pecado ouvir uma sonata de Bethoven só porque não é gospel? Seria errado assistir o espetáculo de balé como o Lago dos Cisnes só porque não é gospel? Ir ao cinema é pecado, tendo em vista que no Brasil não são apresentados filmes gospel na telona? Assistir um canal de TV não gospel é errado? Já que o Jornal A Gazeta não é gospel é errado lê-lo?
"Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas edificam."
Secular é aquilo que está ligado à vida cotidiana de uma forma geral sem ligação religiosa, por exemplo, meu emprego é secular (não religioso), nem por isso peco por exercer minha profissão.
É obvio que algumas coisas são absolutamente profanas, mas nem tudo que é secular é profano. Participar do profano, sim é errado do ponto de vista cristão, pois objetivo e o uso que se faz de algo profano, é profano.
Por isso o apóstolo Paulo diz a famosa sentença:” Não erreis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o reino de Deus.” E no mesmo capitulo : “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma.” E ainda na mesma carta: “Mas, se alguém vos disser: Isto foi sacrificado aos ídolos (ou seja, é profano), não comais, por causa daquele que vos advertiu e por causa da consciência; porque a terra é do Senhor, e toda a sua plenitude.” E novamente: “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas edificam.”
O importante é que ao invés de nos preocuparmos com regras, tornando nos legalistas e religiosos, devemos atentar para “fazer diferença entre o santo e o profano e entre o imundo e o limpo”. Tendo em conta que cada um sabe do seu “espinho na carne.” Porém é necessário também considerar que por causa dos fracos devemos nos tornar fracos para que estes não caiam.
"Pecado é fazer menos do que Deus espera de nós"
Adoro boa musica (por adoro entende-se “gosto muito”), mas não tenho o costume de ouvir musica secular, nem mesmo musica gospel brasileira que tem qualidade questionável. Não ouço não por achar que é errado, mas por causa de mim mesmo e dos outros. No entanto creio que criar regras a respeito de tal assunto é tirar a capacidade de discernimento além de cair numa armadilha chamada religiosidade.
Antes de tudo, ao invés de nos preocuparmos em não fazer a vontade do diabo, penso que devemos nos ocupar em fazer a vontade de Deus, que cuida de cada um conforme o seu chamado. O que na verdade acaba sendo mais eficiente.
Como disse um grande pregador: “Pecado é fazer menos do que Deus espera de nós”...