Ontem dia 19/03/2008 aqui no ES, foi comemorado a Insurreição de Queimados. Que foi uma revolta de escravos negros ocorrida no dia 19 de março de 1849 em Queimados, distrito do Município de Serra. A Hstória pode ser lida no site: http://www.geocities.com/revoltadoqueimado/
Pois é , o interessante que a opressão à cultura dos negros ainda permanece, e muitas vezes alguns usam o nome de Deus pra justificar seu preconceito.
Vou logo avisando que não sou a favor sincretismo religioso mas não é novidade nenhuma que qualquer coisa ligada ao "gueto" é discriminada pelos "religiosos".
Quem nunca ouviu que o rock, funk, hip-hop, rap, capoeira, percussão e cia. são "coisas do diabo"!? Por que querem colocar uniforme nos "fieis" dizendo que devem usar aquela ou essa roupa?
A resposta é simples: porque o esteriótipo do cristão brasileiro foi criado pela elite branca protestante dos EUA.
Pois é: se você vai quando pensa em ir pra igreja vem a dúvida de qual terno e gravata usar, isso não é por acaso. Os religiosos norte-americanos que difundiram o protestantismo no Brasil fizeram questão de manter essa "aparência elegante" mesmo sob o calor escaldante de nosso país. Isso serviu de espelho para os demais seguidores, e tal aparência se perpetuou na "cultura evangélica" que na verdade não tem nada de brasileira. E essa questão não ficou só relativa as roupas. Podemos ver claramente que em todos as áreas do "protestantismo" há uma grande influência dos nosso "irmãos" estrangeiros, que são estremamente nacionalistas (diferentes de nós).
Não é o que fazemos que nos torna mais santos.
Mas é a santidade, que nos faz ter atitudes santas.

Não estou defendendo que devemos "andar pelados" e sair por ai "sambando" em nome do nacionalismo. Mas vejo um grande problema no preconceito que existe em torno de qualquer idéia que tenta dar uma cara mais brasileira a liturgia de tais igrejas. E isso pra mim é uma ofensa à nossa identidade. O Espírito é o que dá discernimento.
Muitos não sabem, mas o rock, o blues, o jazz e surgiram dentro das igrejas negras americanas sendo estes filhos do Gospel, mas por serem despresadas pela elite branca, foram lançados para fora. O objetivo desses ritmos era louvar a Deus. Mas o preconceito racista não deixou. Aliais, quem é que define um ritmo como "santo" ou não? A inquisição protestante de fato é um câncer silencioso, que atrapalha a saúde espiritual de muitas pessoas, por ter seu foco no material e não no espiritual. Por propor uma transformação de fora pra dentro. A santidade está nas pessoas e não nas coisas. Muitos admitem que podemos consagrar um instrumento musical, um carro, uma casa, mas um ritmo musical não está nesta lista se não agrada à elite. Qualquer dia vão querer mudar a cor da nossa pele, pra sermos "alvos mais que a neve"! Faço minhas as palavras do apóstolo Paulo:
"Eu sei, e estou certo no Senhor Jesus, que nenhuma coisa é de si mesma imunda, a não ser para aquele que a tem por imunda; para esse é imunda."
Nos EUA, tal sentido de valorização social e cultural dos negros custou a vida do Pastor Martin Luther King. Em abril de 1968 foi assassinado em Memphis, Tenessee, por um branco que havia escapado da prisão.
Na Insurreição de Queimados, o lider Chico Prego (ilustração) foi enforcado por causa dos seus ideais de liberdade e igualdade. Dessa forma os escravistas queriam calar a sua voz.
"São 15 milhões de pessoas pretas de cabeça baixa nas igrejas, achando que são descendentes do continente do demônio", afirmou o teólogo Walter Passos, no I Encontro Nacional de Negras e Negros Cristãos, realizado em Salvador no mês de abril de 2007.
Os sermões, que seriam o grande alimento das comunidades, se tornaram mecanismos de dominação através da palavra e demonização das culturas africanas. Há um processo de branqueamento escandaloso nas lideranças pastorais negras.
Cristo morreu para que deixássemos de ser escravos do pecado (incluindo o preconceito). Não deixemos que calem a Sua voz!
Veja Também : http://religiaoecultura.blogspot.com